sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Minha primeira desilusão amorosa!
Lá pelos meus treze anos, eu comecei a me interessar por um menino chamado Wren. Ele era um ano mais velho que eu, tinha cabelos e olhos castanhos e quando sorria, as covinhas mais lindas do mundo apareciam... Enfim, fiquei caidinha. Ele até conversava comigo, mas na minha cabeça era tudo platônico. Nunca tinha pensado em realmente ficar com ele, só gostava da sensação de gostar dele. Sabe aquele friozinho na barriga que você sente quando vê AQUELA pessoa vindo na sua direção? E quando essa pessoa fala com você e seu coração para de bater por alguns segundos? Eu adorava aquilo!
Mas, quando ele pediu para ficar comigo, eu me apavorei. Primeiro, eu tinha só treze anos, não tinha maturidade suficiente para lidar com isso. Segundo, ele era só um ano mais velho que eu, mas mesmo assim, isso me deixou um pouco mais assustada. E terceiro, eu estava morrendo de medo de fazer alguma coisa errada! Em todas essas revistas adolescentes a gente vê vários artigos falando que não tem como o menino perceber que você é BV, que é só você tentar imitar o que o garoto fizer... Mas, eu estavas surtando!
Por outro lado, eu gostava da ideia de dar meu primeiro beijo em alguém que eu realmente gostava... Mais uma vez, eu estava surtando!
Decidi aceitar. Falei que sim e, apesar de estar morrendo de medo e apavorada, acabei me acostumando com a ideia. No dia marcado, cheguei na escola um pouco mais cedo para poder encontrar minhas amigas antes do Grande Evento! Quando cheguei no portão, vi que Wren estava ali e gelei! Parei de andar e fiquei olhando pra ele. Ele estava sorrindo, conversando com alguém. Estava parado, encostado no portão, com a mochila em um ombro só, o boné de sempre e a camiseta do uniforme... Suspirei e na hora o medo passou. Eu mal podia acreditar na sorte que eu tinha! O menino que eu ia beijar pela primeira vez era lindo, super legal e ainda por cima, eu realmente gostava dele!
Recuperei a habilidade de me mover, e comecei a andar em direção a ele. Mas parei de novo. Por que só então eu percebi que ele estava conversando com uma menina. Uma menina que dava em cima de todo mundo e que eu já tinha visto se jogando pra cima dele. Uma menina que com certeza, tinha mais coragem que eu (ou falta de vergonha na cara, não sei), e estava na ponta do pé, indo em direção a boca dele. É clichê, eu sei, mas, depois disso, tudo aconteceu em câmera lenta. Ela o beijou. Ele retribuiu o beijo. Eu paralisei de novo. O beijo acabou. Ele sorriu pra ela. Depois parou de sorrir quando me viu. Fez cara de assustado. E eu saí correndo.
Aquela manhã parecia que não ia acabar nunca. Eu não queria chorar na escola, por isso me segurei até chegar em casa. Fiquei o dia inteiro fingindo que estava tudo bem, porque não queria que minha mãe me visse chorando. Se ela me perguntasse o que tinha acontecido, eu iria acabar contando, e eu não queria falar sobre isso com mais ninguém. Contei apenas para Cathy e Jenny (minhas duas melhores amigas na época). Depois que todo mundo foi dormir, apaguei a luz, deitei na minha cama e só então me permiti chorar. Chorei, chorei, chorei mais uma vez, depois chorei mais um pouco e continuei chorando por um bom tempo.
Agora eu percebo que não gostava dele de verdade, que era apenas paixãozinha adolescente. Mas na época, doeu muito. Parei de falar com Wren. Ele tentou falar comigo umas duas vezes, mas eu nunca deixei ele se explicar. Afinal, não tinha explicação. Eu vi que ele tinha gostado do beijo. Se ele preferia beijar ela, o que eu poderia fazer? O que me chateou foi ele ter feito isso justo no dia em que ia ficar comigo. Por que, mesmo que a gente não tivesse nada sério, me senti traída.
Uns meses depois. Eu estava parada no portão, esperando Jenny para ir embora, e ele veio na minha direção. Ele apenas parou na minha frente e depois me abraçou. Fiquei sem reação. Depois do abraço ele disse tchau, e foi embora. Depois Jenny me contou que ele tinha se mudado para outro Estado, que aquele era o ultimo dia dele na escola.
Fiquei super traumatizada! Eu senti muita falta dele. Apesar de não estar mais falando com ele e estar muito brava com o que tinha acontecido, eu ainda olhava pra ele. Muito.
Até hoje me pergunto o que teria acontecido se naquele dia, ele tivesse me beijado. Será que teria mudado alguma coisa em mim? No que eu penso e no que eu sou hoje?
E, claro, me pergunto sempre : What would Jane do?
Beijos,
Lizzie.
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